terça-feira, 24 de setembro de 2019

Livro de Baruque.


INTRODUÇÃO
O livro de Baruc chegou até nós por meio da versão grega da Septuaginta, onde se encontra entre Jeremias e as Lamentações. São Jerônimo absteve-se de traduzi-lo para o latim porque, a seu ver, "os hebreus nem liam, nem possuíam" este livro; por isso, o que foi inserido na Vulgata é a tradução latina da Vetus Latina. Na Vulgata , Baruc se situa geralmente entre as Lamentações e Ezequiel - juntamente com a Carta de Jeremias que, na Vulgata , vem logo em seguida e constitui o seu capítulo sexto.
A primeira leitura, a obra se apresenta como tendo sido redigida por Baruc , "secretário" de Jeremias , durante o exílio na Babilônia , para proveito da comunidade que ficara em Jerusalém . Mas as numerosas discrepâncias entre as informações dos escritos contemporâneos relativos à tomada de Jerusalém e ao Exílio e os dados de Baruc tornam impossível a atribuição desta obra ao "secretário" de Jeremias (cf. notas em Br 1,1.2.8.10.12 e 14). O livro inclui-se, portanto, na literatura pseudonímica; a pseudonímia implica um autor diferente, bem como outra situação e outros destinatários que os enunciados no texto. Daí decorre a principal dificuldade para ler Baruc. Ele segue o modelo das narrativas referentes à tomada de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 e aos anos de exílio , sem deixar de introduzir certo número de alterações, cuja função é adaptar o modelo à situação histórica do seu tempo. Tais diferenças são os sinais característicos do processo de atualização. Para situar Baruc no espaço e no tempo, e para compreender sua função, mister é tentar descobrir, por trás do que diz o texto, o que ele, na realidade, designa.
As quatro partes do livro. Mas a leitura esbarra ainda com outra dificuldade: o caráter compósito da obra. De fato, ela é constituída de quatro partes heterogêneas, que não podem ser nem do mesmo autor, nem da mesma época: uma introdução histórica, uma oração penitencial, uma meditação sobre a Sabedoria, e finalmente uma exortação a Jerusalém .
Esses trechos diferem tanto pela língua original que supõem, como pelo gênero literário e a doutrina: daí provêm os problemas da unidade da coletânea em sua composição atual e o da sua função global.
a) A introdução histórica (1,1-14). Descreve-nos as circunstâncias em que o livro de Baruc teria sido composto, e com que finalidade. Teria esta introdução sido redigida diretamente em grego, por um escritor familiarizado com a Septuaginta, ou remontaria a um original semítico? Ambas as hipóteses foram defendidas, mas a segunda parece mais verossímil.
b) A oração penitencial (1,15-3,8). Duas partes se podem distinguir (1,15 nota): de início, uma confissão (1,15-2,10), a seguir uma súplica (2,11-3,8). O texto grego desta oração , mosaico de citações bíblicas, é, com toda a verossimilhança, tradução de uma prece inicialmente redigida em hebraico. Ela pertence a um gênero literário bem-definido, o da confissão nacional.
O início da oração (1,15-2,19) depende da de Daniel , inserindo-lhe, porém, algumas modificações. Em especial, Baruc omite as passagens de Daniel relativas a Jerusalém e ao santuário desolado (Dn 9,16.17b.18b.19); mas Baruc acrescenta desenvolvimentos sobre a situação do povo no Exílio (Br 2,3-5.13.14b). Essas modificações sugerem que a oração penitencial de Baruc provém de uma comunidade judaica da diáspora , para a qual a situação do Templo já não se apresentava de modo tão dramático quanto a evocada por Daniel . Do ponto de vista cronológico, várias hipóteses foram apresentadas para explicar este parentesco estreito entre as confissões nacionais de Daniel e as de Baruc; caso se conclua por um empréstimo tomado diretamente de Daniel por Baruc, a oração conservada no segundo é posterior ao primeiro; mas não é impossível tampouco que essas duas confissões sejam translados de uma oração mais antiga (a respeito de um arcaísmo doutrinal, cf. 2,17, nota) que teriam sido inseridos posteriormente e de forma independente nos dois livros.
Função litúrgica, data e ambiente de origem das duas primeiras partes de Baruc: o jejum e as lamentações, os sacrifícios oferecidos no santuário , a confissão nacional, tudo isso indica que o quadro litúrgico das duas primeiras partes de Baruc é o de uma liturgia penitencial celebrada com vistas a reconciliar o povo com seu Deus , depois de alguma catástrofe nacional. Vários períodos particularmente conturbados podem ser levados em consideração: 169 e os anos subseqüentes, sob Antíoco Epífanes, a tomada de Jerusalém por Pompeu em 63 a.C.; finalmente a efetuada por Tito em 70 d.C. Mas o saque do Templo por Antíoco IV em 169 e a restauração do culto por Judas em 164, portanto, cinco anos mais tarde (cf. 1,2.8) são o que parece explicar melhor as discrepâncias significativas da tipologia usada neste escrito. A intercessão em prol de Nabucodonosor e do seu filho Baltasar (1,11) nos faria remontar a Antíoco IV e a seu filho, o futuro Antíoco Eupátor. Quanto ao ambiente de origem dessas duas primeiras partes, não há dúvida de que seja uma comunidade judaica da diáspora , talvez de Antioquia, profundamente apegada às tradições religiosas da Judéia - ao contrário dos partidários da helenização integral, como o sumo sacerdote Menelau (cf. 2Mc 4,23ss.) -, mas politicamente hostil a uma resistência armada contra os selêucidas (1,11-12; 2,21.24).
c) A meditação sobre a Sabedoria (3,9-4,4). À oração penitencial segue-se uma meditação sobre a Sabedoria (3,9 nota). O texto retoma a interrogação sobre a causa das desgraças do povo no Exílio, mas a resposta é formulada nos termos característicos dos escritos sapienciais.
A meditação sobre a Sabedoria se situa numa virada da história das doutrinas sapienciais judaicas. A idéia de uma Sabedoria dispensada universalmente (Pr 8,17.31), definida como temor de Deus (Pr 1,7; 9,10; 15,33; Sl 111,10; Jo 28,28), é precisada: ora é identificada com a Lei, cujo depositário único é o povo eleito (Sr 24,8-12; Br 4,1); ora é apresentada como participante da obra criadora de Deus (Pr 8,22-31; Sr 24,9; e talvez Br 3,32-35, cf. nota ao v. 32), depois, habitando entre os homens.
Por causa das afinidades doutrinais que esta meditação sobre a Sabedoria apresenta com o Sirácida, é cabível datá-la do século II a.C.; mas é difícil defini-lo com maior precisão. Também aqui as opiniões acerca da língua em que este trecho foi composto se dividem. Todavia, parece mais verossímil um original grego. A questão do seu relacionamento com as demais partes do livro está longe de ter recebido uma resposta satisfatória: houve quem propusesse reconhecer nele uma homilia pronunciada por ocasião de um dia de penitência .
d) Exortação e consolação de Jerusalém (4,5-5,9). A última parte do livro pertence a outro gênero literário (cf. 4,5 nota); trata-se de um poema de estímulo e reconforto, cujo estilo é muito parecido com o do Segundo Isaías . O problema da língua original, semítica ou grega, é tão controvertido para esta parte quanto para a precedente. O undécimo salmo de Salomão , redigido pouco depois da tomada de Jerusalém por Pompeu em 63 a.C., é muito parecido com esta seção de Baruc; a comparação dos dois escritos permite concluir pela anterioridade de Br 4-5. Ao contrário da introdução histórica e da oração penitencial que se situam no início do Exílio e preconizam uma política de conciliação com as nações, aqui o texto lhes é francamente hostil e supõe a iminência da volta dos dispersados. Pertence, por conseguinte, a uma época e um ambiente sensivelmente diferentes dos das duas primeiras partes. Anterior a 63, pode ser datado da segunda metade do século II, e atribuído a uma comunidade da diáspora que se tinha apartado dos selêucidas, estimulada a isso pelas conquistas políticas e militares dos hasmoneus.
O livro em seu conjunto. Baruc é um escrito da diáspora judaica, que convida os hierosolimitanos a celebrar uma liturgia penitencial. As duas primeiras partes, mais antigas, devem ser contemporâneas ou pouco posteriores aos acontecimentos de 164 e parecem provir de uma comunidade da dispersão, politicamente situada a meia distância entre os partidários de Menelau e os partidários dos macabeus. A quarta parte, acrescentada posteriormente, provém, sem dúvida, de um ambiente conquistado à causa da independência judaica. Quanto à elucubração sobre a Sabedoria, é difícil definir sua proveniência: por razões de estilo, atinentes em particular à unidade de locutor, inclinar-nos-íamos de preferência a ligá-la à exortação a Jerusalém . Com toda a verossimilhança, o livro recebeu a forma definitiva no decorrer da segunda metade do século II.
CAPÍTULO 1
1 Eis o conteúdo do livro que Baruc, filho de Nerias, filho de Maasias, filho de Sedecias, filho de Hasadias, filho de Helcias, escreveu em Babilônia,
2 no quinto ano, no sétimo dia do mês, na época em que os caldeus haviam tomado Jerusalém e a tinham devastado pelo fogo.
3 Baruc fez a leitura do conteúdo deste livro na presença de Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá, e de todo o povo que viera para escutar o livro,
4 na presença das autoridades, dos filhos dos reis, dos anciãos, em suma, na presença de todo o povo do menor até o maior, de todos os que habitavam em Babilônia às margens do rio Sud.
5 As pessoas choravam, jejuavam, oravam diante do Senhor.
6 A seguir, eles ajuntaram dinheiro, dando cada qual conforme os seus meios,
7 e o enviaram a Jerusalém, ao sacerdote Joaquim, filho de Helcias, filho de Salom, bem como aos outros sacerdotes e a todo o povo que se encontrava com ele em Jerusalém.
8 Antes disso, Baruc tomara os objetos da Casa do Senhor os que tinham sido levados para fora do santuário para fazer com que voltassem à terra de Judá no décimo dia do mês de sivan tratava-se dos objetos de prata mandados fazer por Sedecias, filho de Josias, rei de Judá,
9 depois que Nabucodonosor, rei de Babilônia, deportou Jeconias de Jerusalém, e o levou para Babilônia, bem como os chefes, os prisioneiros, as autoridades e o povo da terra.
10 E eles disseram: "Eis que vos enviamos dinheiro: com esta quantia, comprai vítimas destinadas a holocaustos e sacrifícios pelos pecados, comprai incenso fazei oferendas, apresentai sacrifícios sobre o altar do Senhor, nosso Deus,
11 e orai pela vida de Nabucodonosor, rei de Babilônia e pela do seu filho, Baltasar, a fim de que seus dias sejam como os dias do céu sobre a terra.
12 Então o Senhor nos dará a força e iluminará nossos olhos; viveremos à sombra de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e à sombra de seu filho Baltasar, servi-los-emos durante numerosos dias e encontraremos graça diante deles.
13 Rezai igualmente ao Senhor nosso Deus por nós, pois pecamos contra o Senhor nosso Deus, e até este dia o furor e a cólera do Senhor não se afastaram de nós.
14 Enfim, fareis a leitura deste livro que vos enviamos, para que se faça a confissão dos pecados na casa do Senhor, no dia da Festa e nos dias em que for conveniente.
15 Direis:
Oração Penitencial
A confissão. Ao Senhor nosso Deus pertence a justiça, mas a nós, a vergonha no rosto, como hoje se vê! A vergonha para o homem de Judá e os habitantes de Jerusalém,
16 para nossos reis, nossos chefes, nossos sacerdotes, nossos profetas e nossos pais.
17 Pois nós pecamos contra o Senhor,
18 não lhe fomos fiéis e não escutamos a voz do Senhor nosso Deus, que nos mandava andar segundo os preceitos que ele colocou diante de nós.
19 Desde o dia em que o Senhor fez sair nossos pais da terra do Egito até este dia, não cessamos de ser infiéis ao Senhor nosso Deus e procedemos levianamente, não escutando a sua voz.
20 Por isso, como hoje se vê, as desgraças se colaram a nós, assim como a maldição proferida por ordem do Senhor pelo seu servo Moisés, no dia em que fez sair nossos pais da terra do Egito, para nos dar uma terra que mana leite e mel.
21 Nós não escutamos a voz do Senhor nosso Deus, conforme todas as palavras dos profetas que ele nos enviou,
22 mas íamos, cada qual, seguindo o desígnio do seu coração perverso, servir a outros deuses, fazer o que é mau aos olhos do Senhor, nosso Deus.
CAPÍTULO 2
1 Por isso, o Senhor pôs em execução a palavra que pronunciara contra nós, contra nossos juízes que governaram Israel, contra nossos reis, contra nossos chefes e contra os habitantes de Israel e de Judá:
2 não se fizeram debaixo do céu inteiro coisas semelhantes às que ele fez em Jerusalém, de conformidade com o que está escrito na Lei de Moisés
3 a tal ponto que chegamos a comer, um, a carne do seu filho, o outro, a carne de sua filha.
4 E o Senhor os entregou ao poder de todos os reinos que nos rodeiam, para sofrerem ultraje e desolação entre todos os povos dos arredores, onde ele os dispersou.
5 Eles foram subjugados, em vez de levar vantagem, porque pecamos contra o Senhor nosso Deus, não escutando a sua voz.
6 Ao Senhor nosso Deus pertence a justiça, mas a nós e a nossos pais, a vergonha no rosto, como hoje se vê!
7 Tudo o que o Senhor anunciara contra nós, todas essas desgraças desabaram sobre nós.
8 E nós não imploramos a face do Senhor, para que apartasse cada um de nós dos pensamentos do seu coração perverso.
9 Por isso, o Senhor velou por essas desgraças e as mandou contra nós; porque o Senhor é justo em tudo o que nos mandou fazer,
10 mas nós não lhe escutamos a voz, que nos dizia para andar de acordo com os mandamentos que o Senhor pusera diante de nós.
A súplica.
11 E agora, Senhor Deus de Israel, que fizeste sair o teu povo da terra do Egito com tua mão forte, com sinais e prodígios, com grande poder e com teu braço estendido, que adquiriste um Nome como hoje se vê,
12 nós pecamos e agimos como ímpios, cometemos a injustiça, Senhor nosso Deus, contrariando todas as tuas prescrições.
13 Que a tua ira se aparte de nós, pois estamos abandonados, número reduzido no meio das nações nas quais nos dispersaste.
14 Escuta, Senhor, nossa prece e nosso pedido, poupa-nos por causa de ti e concede-nos graça diante dos que nos deportaram,
15 a fim de que toda a terra saiba que tu és o Senhor nosso Deus, pois o teu Nome foi invocado sobre Israel e sobre a sua descendência.
16 Senhor, olha do alto da tua santa morada e leva-nos em consideração; inclina, Senhor, o teu ouvido e escuta;
17 abre os olhos e vê: não são os mortos no Hades, aqueles cujas entranhas não têm mais alento, que darão glória e justiça ao Senhor,
18 mas é a alma em extremo aflita, o que caminha curvado e enfraquecido, é o olhar vacilante, e a alma esfomeada quem te dará glória e justiça, Senhor!
19 Por isso, não é apoiando-nos nas obras de justiça dos nossos pais e dos nossos reis que depomos nossa súplica diante de tua face, Senhor nosso Deus
20 pois desencadeaste a tua ira e tua cólera contra nós, como tinhas anunciado por intermédio dos teus servos, os profetas, dizendo:
21 "Assim fala o Senhor: Curvai os ombros, servi ao rei de Babilônia, e permanecereis na terra que eu dei a vossos pais.
22 Mas se não escutardes a voz do Senhor que vos manda servir ao rei de Babilônia,
23 eu farei com que a voz da alegria e a do prazer, a voz do recém-casado e a da jovem esposa abandonem as cidades de Judá e saiam de Jerusalémtoda essa terra ficará desolada, vazia de seus habitantes".
24 Mas nós não escutamos a voz que nos mandava servir ao rei de Babilôniapor isso puseste em execução as palavras que pronunciaras pela boca dos teus servos, os profetas: arrancar-se-iam dos seus túmulos as ossadas de nossos reis e as ossadas de nossos pais.
25 E ei-las jogadas aos ardores do dia e ao gelo da noite; eles morreram em cruéis sofrimentos, pela fome, a espada e o exílio
26 e a Casa sobre a qual foi invocado o teu Nome, reduziste-a ao estado em que hoje se vê, por causa da perversidade da casa de Israel e da casa de Judá.
27 E, no entanto, agiste para conosco, Senhor, segundo toda a tua eqüidade e toda a tua grande compaixão,
28 conforme o que tinhas anunciado por intermédio do teu servo Moisés, no dia em que lhe ordenaste que escrevesse a tua Lei perante os filhos de Israel, dizendo:
29 ‘Se não escutardes a minha voz, pois bem, esta imensa multidão ruidosa ficará reduzida a pouca coisa em meio às nações nas quais os dispersarei;
30 pois eu sei que não me escutarão, porque é um povo de dura cerviz.
Mas eles cairão em si, na terra onde terão sido deportados,
31 e saberão que sou eu, o Senhor, seu Deus. Eu lhes darei um coração e ouvidos que ouvem,
32 eles me louvarão na terra onde tiverem sido deportados e lembrar-se-ão do meu Nome.
33 Renunciarão à sua obstinação e às suas más ações, pois se lembrarão do caminho de seus pais, que pecaram contra o Senhor.
34 E eu os farei voltar à terra que prometi a seus pais Abraão, Isaac e Jacó apossar-se-ão dela; eu os tornarei numerosos e, na verdade, eles não serão mais diminuídos!
35 Firmarei para eles uma aliança eterna, a fim de que eu seja para eles Deus, e eles sejam um povo para mim; e não farei mais sair o meu povo Israel da terra que lhes dei’.
CAPÍTULO 3
1 Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, quem clama a ti é uma alma angustiada, um espírito acabrunhado.
2 Escuta, Senhor, e tem compaixão, pois pecamos contra ti;
3 tu, permaneces para sempre, mas nós, para sempre estamos perdidos!
4 Por isso, Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, escuta a oração dos mortos de Israel, dos filhos daqueles que pecaram contra ti: eles não escutaram a voz do Senhor seu Deus, então as desgraças se colaram a nós.
5 Não te recordes das injustiças dos nossos pais, mas, nesta ocasião, lembra-te da tua mão e do teu Nome,
6 pois tu és o Senhor nosso Deus, e nós te louvaremos, Senhor!
7 Foi por isso que inspiraste o temor em nossos corações: para que invocássemos o teu Nome. Nós te louvaremos no nosso exílio, pois arrancamos de nossos corações toda a injustiça dos nossos pais, que pecaram contra ti.
8 Eis-nos hoje neste exílio em que nos dispersaste, expostos ao ultraje e à maldição e para nossa emenda, por causa de todas as injustiças dos nossos pais que se separaram do Senhor, nosso Deus.
Meditação sobre a Sabedoria
Exortação
9 Ouve, Israel, os preceitos de vida, prestai ouvido para aprender a discernir.
10 Que acontece, Israel? Por que estás em terra de inimigos? Por que envelheceste em terra estrangeira?
11 Por que te contaminaste com os mortos e por que foste incluído no número dos que descem ao Hades?
12 Foi porque abandonaste a fonte da Sabedoria. 13 Se tivesses seguido o caminho de Deus, habitarias na paz para sempre.
14 Aprende onde está o discernimento, onde, a força, onde, o saber, para conhecer, ao mesmo tempo, onde estão a longevidade e a vida, onde estão a luz dos olhos e a paz. A Sabedoria inacessível
15 Quem encontrou a morada da Sabedoria e quem entrou em seus tesouros?
16 Onde estão os chefes das nações, e os que domam os animais selvagens da terra?
17 Onde estão os que se divertem com os pássaros do céu, os que põem em reserva a prata e o ouro, nos quais os homens puseram sua confiança, eles, cuja fortuna não tem limites?
18 Onde estão os que lavram a prata e fazem dela o objeto de seu cuidado, eles, cujas obras superam a imaginação?
19 Foram aniquilados, desceram ao Hades, e outros surgiram em seu lugar.
20 Outros mais jovens viram a luz e habitaram sobre a terra; mas eles não conheceram o caminho da ciência,
21 não prestaram atenção a suas veredas e não se preocuparam com ela; os filhos ficaram à parte do caminho de seus pais.
22 Ela tampouco foi ouvida em Canaã nem vista em Teman
23 até os filhos de Agar que andavam em busca do saber sobre a terra, os mercadores de Merran e Teman, os narradores de fábulas e os pesquisadores do saber, não conheceram o caminho da Sabedoria e não se lembraram das suas veredas.
24 Ó, Israel, como é grande a casa de Deus, como é vasto o domínio que lhe pertence!
25 Ele é grande e não tem fim, é elevado e sem medida! 26 Ali é que foram gerados os famosos gigantes, os do princípio, de alta estatura e versados na arte da guerra.
27 Não foi a eles que Deus escolheu, nem a eles que indicou o caminho da ciência;
28 e pereceram, pois não tinham discernimento; pereceram por causa de sua irreflexão.
29 Quem subiu ao céu, quem se apoderou dela para fazê-la descer das nuvens?
30 Quem foi além do mar, quem a encontrou
31 Ninguém há que lhe conheça o caminho, ninguém mesmo que deseje seguir-lhe a vereda. Só Deus a conhece e a doou a Israel
32 Mas Aquele que sabe todas as coisas a conhece, ele a descobriu com sua inteligência; ele preparou a terra para a eternidade, depois, povoou-a de quadrúpedes;
33 ele envia a luz e ela se põe a caminho; chamou-a: ela obedeceu-lhe tremendo;
34 as estrelas brilharam em suas vigílias e se alegraram;
35 ele as chamou, e elas responderam: "Ei-nos aqui!" Brilharam com júbilo para seu Criador.
36 Ele é o nosso Deus, e não se contará outro fora dele.
37 Ele descobriu todo caminho que leva à ciência e o indicou a Jacó, seu servo, e a Israel, seu bem-amado.
38 Depois disso, ela foi vista na terra e viveu entre os homens.
CAPÍTULO 4
1 A Sabedoria é o livro dos mandamentos de Deus, a Lei que existe para todo o sempre Todos os que se apegam a ela irão para a vida, mas os que a abandonam morrerão.
Exortação
2 Volta-te, Jacó, apanha-a; põe-te a caminho da claridade, ao encontro de sua luz.
3 Não cedas a tua glória a um outro, nem os teus privilégios a uma nação estrangeira.
4 Felizes somos nós, Israel, pois nos é possível conhecer o que agrada a Deus! Exortação e consolação de Jerusalém Exortação aos exilados
5 Coragem, meu povo, tu que és o memorial de Israe!
6 Vós fostes vendidos às nações, mas não foi para a vossa destruição; foi porque irritastes a Deus que fostes entregues aos inimigos;
7 pois exasperastes vosso Criador, sacrificando a demônios e não a Deus
8 olvidastes o Deus eterno que vos alimentou afligistes também aquela que vos criou, Jerusalém.
9 Ela viu desabar sobre vós a cólera de Deus e disse: Jerusalém exorta e reconforta seus filhos Escutai, vizinhas de Sião, Deus infligiu-me uma grande dor;
10 pois eu vi o cativeiro que o Eterno infligiu a meus filhos e filhas;
11 eu os tinha criado com alegria, mas deixei-os partir na dor e no sofrimento.
12 Que ninguém se alegre se estou viúva e abandonada por muitos. Fizeram-me ficar deserta por causa do pecado dos meus filhos, porque eles se afastaram da Lei de Deus
13 eles não conheceram suas prescrições, não caminharam pelos caminhos dos preceitos de Deus , nem seguiram as sendas da educação conforme sua justiça.
14 Que venham, as vizinhas de Sião! Lembrai-vos do cativeiro que o Eterno infligiu a meus filhos e filhas!
15 Pois ele arremessou contra eles uma nação vinda de longe, uma nação insolente e de língua estranha, homens que não tiveram respeito ao ancião nem compaixão da criança,
16 que levaram os filhos queridos da viúva e a reduziram à solidão, privando-a de suas filhas.
17 Mas eu, como posso vir em vosso socorro?
18 Aquele que vos infligiu essas calamidades é quem vos arrancará às mãos de vossos inimigos.
19 Andai, filhos, andai! Quanto a mim, eis-me abandonada e deserta;
20 despi a veste da paz, pus minha vestimenta de suplicante clamarei ao Eterno no decorrer de todos os meus dias.
21 Coragem, filhos! Clamai a Deus e ele vos arrancará da dominação, das mãos de vossos inimigos;
22 pois quanto a mim, depus no Eterno a esperança de vossa salvação e o Santo concedeu-me uma alegria: a misericórdia virá logo para vós da parte do Eterno, vosso Salvador .
23 Pois eu vos deixei partir no sofrimento e na tristeza, mas Deus vos restituirá a mim na alegria e no regozijo para sempre.
24 Assim como as vizinhas de Sião vêem agora vosso cativeiro, verão em breve a salvação que virá do vosso Deus: ela vos sobrevirá com a glória resplandecente e o esplendor do Eterno.
25 Filhos, suportai com paciência a cólera que vos veio de Deus o inimigo te perseguiu, mas em breve verás a sua destruição e lhe pisarás a nuca .
26 Meus tenros filhos percorreram caminhos pedregosos, foram levados como gado arrebatado à força pelos inimigos.
27 Tende coragem, filhos, e clamai a Deus, pois aquele que vos conduziu para lá lembrar-se-á de vós.
28 Assim como tivestes o propósito de vos afastar de Deus , depois de convertidos, multiplicai vossos esforços para procurá-lo!
29 Pois aquele que vos infligiu essas calamidades fará vir sobre vós a alegria eterna junto com a vossa salvação".
Consolação de Jerusalém
30 Coragem, Jerusalém! Aquele que te deu o teu nome , ele te reconfortará.
31 Desgraçados daqueles que te maltrataram e se alegraram com tua queda!
32 Desgraçadas as cidades das quais os teus filhos foram escravos! Desgraçada aquela que recebeu teus filhos!
33 Pois, assim como ela se alegrou com tua queda e se congratulou por tua ruína, assim também será afligida por sua própria devastação;
34 eu a privarei da população numerosa que causa sua alegria, e sua insolência mudar-se-á em sofrimento.
35 pois o Eterno fará cair um fogo sobre ela por longos dias, e ela será habitada por demônios durante mais tempo ainda.
36 Olha para o oriente , Jerusalém , e vê a alegria que te vem de Deus ,
37 Eis que chegam os filhos que viste partir; chegam, reunidos do oriente até o ocidente pela palavra do Santo , alegrando-se pela glória de Deus .
CAPÍTULO 5
1 Jerusalém, despe o teu vestido de sofrimento e infortúnio e veste para sempre o teu belo adorno da glória de Deus.
2 Cobre-te com o manto da justiça, que vem de Deus, e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno;
3 pois Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a terra que jaz debaixo do céu,
4 e te dará este nome para sempre: "Paz-de-Justiça e Glória-de-piedade".
5 Levanta-te, Jerusalém, coloca-te sobre o alto e volta o olhar para o oriente; vê os teus filhos, reunidos desde o poente até o levante pela palavra do Santo eles se alegram de que Deus se recorde.
6 Saíram das tuas portas a pé, expulsos por inimigos, mas Deus os faz voltar para ti, carregados gloriosamente como um trono real.
7 Pois Deus ordenou que toda a montanha elevada seja rebaixada, assim como as dunas sem fim; ele mandou encher os vales para que a terra seja nivelada e Israel possa avançar com passo seguro, na glória de Deus.
8 Por sua ordem, também as florestas e cada árvore odorífera prepararam sombra para Israel
9 Pois Deus guiará Israel, na alegria, à luz de sua glória, acompanhado da misericórdia e da justiça que lhe pertencem.

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